20080821

Amnésia


Eu não sei contar como estou agora, não sei para onde quero ir e nem sei de onde vim, não sei de mim desde que me perdi numa mente alagada de desesperança, eu não sei falar sobre mim, não sei como estou ou para onde vou mergulhada na amnésia de sentires, eu não sei meu nome e nem o número do registro de nascimento, não sei quem me olha no espelho, não sei quem sorri para mim e muito menos quem usa meu olho para chorar, eu não sei o que fiz e portanto não sei porque ando de joelhos pagando promessas que não sei se prometi, não sei quem canta os males que não espanto nem sei quem reza para eu dormir, eu não sei relatar fatos que nem sei se os vivi assim como não sei cantar a musica que imagino tenha feito para mim, eu não sei se alguém me disse que saudade é boa companhia mas que droga eu faço com a dor desse sentir?

Eu não sei se fui cruel e/ou na embriaguez ofendi e nem sei se amassei o pão para o diabo comer, não sei como me sinto quando vomito trapaças que a vida reservou para mim, eu não sei se sou piada e não sei se por isso riem de mim, não sei dizer quem sou enquanto alguém não me fizer esse favor, eu não sei de nada e nada posso saber se ando no mundo de pesadelo d'um sonho que não acabou, não sei escrever por linhas tortas e por isso pago o preço, não sei o valor do desapreço nem quanto vale o sossego, não sei onde esconderam de mim o "eu" que não lembro a cara, não recordo o êxtase da paixão e não sei o gosto do ultimo beijo, eu não sei se fiz sexo e portanto não sei se gozei, não sei como ficarei ao descobrir o que não sei e nem sei se quero realmente saber, não sei se camuflar sofrimento maximiza o coração e nem sei se é melhor a ignorância de ser, eu não sei o que maltrata mais, se o fingir insanidade ou desistir sem saber.

Cortei-me separando membros, castrando sensações, eliminando anseios, retalhando tempo e fragmentando reações;
- o que era ontem vira hoje e amanhã não sei...

©Márcia(clarinha)


lindo dia...
beijos





O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte enchendo a minha alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar
tua palavra, tua história tua verdade fazendo escola e tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
metade de mim agora é assim de um lado a poesia, o verbo, a saudade do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
e o fim é belo, incerto, depende de como você vê o novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar / Vou me lembrar de você
(O Teatro Mágico)
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.Continua a votação, obrigada!


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1 comentários:

O empírico disse...

É, sim... As vezes começamos um livro pela metade...

O difícil é saber quem é quem...